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Justiça de São Paulo suspende revitalização da Luz

In Uncategorized on janeiro 27, 2012 at 2:55 pm

MARCELLE SOUZA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A Justiça suspendeu, por meio de liminar (decisão provisória), os efeitos da lei que trata da concessão urbanística na área do projeto Nova Luz, no centro de São Paulo. A decisão, de quinta-feira (26), é do juiz Adriano Marcos Laroca, da 8ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo. Na prática, o projeto fica parado. Cabe recurso.

O juiz também suspendeu o processo administrativo que trata da elaboração do processo urbanístico para a área e seu estudo de viabilidade econômica.

A ação, proposta pela população, alega que nenhuma audiência pública foi feita para apresentar o projeto aos moradores e comerciantes atingidos pela intervenção.

“A decisão política de aplicar no projeto Nova Luz o instrumento da concessão urbanística, de fato, não contou com a participação popular”, disse Laroca na decisão.

O juiz ainda afirma que é falso o argumento que o projeto irá se concretizar sem a necessidade de grandes investimentos da prefeitura. Para viabilizar financeiramente o projeto, a administração municipal estima bancar até R$ 355 milhões. Já estudos da FGV (Fundação Getúlio Vargas) teriam sinalizado que o projeto só se concretizaria com investimentos públicos em torno de R$ 600 milhões, fora os já realizados com instrumentos de incentivos fiscais.

A previsão é que a concessionária tenha um lucro de R$ 229 milhões somente com a venda dos terrenos que serão comprados ou desapropriados.

Divulgação
Desenho do Projeto Nova Luz, que pretende mudar parte da região central da cidade
Desenho do Projeto Nova Luz, que pretende mudar parte da região central da cidade

Procurada pela Folha na manhã de hoje, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano ainda não respondeu.

PROJETO

O projeto Nova Luz prevê que a transformação da região, no centro de São Paulo, fique a cargo de uma empresa privada, que poderá fazer as desapropriações e vender os terrenos com lucro. A previsão é cerca de 30% da região da Santa Ifigênia seja desapropriada e demolida.

De acordo com o projeto, quem aluga imóvel na área da atual cracolândia terá um programa de aluguel proporcional a sua renda.

Já os proprietários de imóveis que moram na região receberão, em troca, um imóvel equivalente em alguns dos novos empreendimentos a serem construídos.

No dia 3 de janeiro, a Polícia Militar começou uma ação para reprimir o tráfico de drogas na cracolândia –localizada na área do projeto de mudança urbana. Os moradores reclamam que, com a ação, os dependentes se reúnem em novos pontos na Luz, Santa Cecília e Liberdade. Na madrugada, grupos de usuários se concentram na rua dos Gusmões.

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Ato do dia 25

In Uncategorized on janeiro 27, 2012 at 2:53 pm

Na manhã do dia 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, nos reunimos para o Ato ” Especulação Extermina, BASTA de Trevas na Luz e em São Paulo”   em frente à catedral da Sé, onde se realizava uma missa em comemoração aos 458 anos da capital paulista. Com a presença do prefeito, Gilberto Kassab, e do governador do estado, Geraldo Alckmin, com o propósito de demonstrar insatisfação, principalmente, com as últimas operações policiais comandadas pelos dois políticos na Cracolândia e no Pinheirinho, e pela desastrada ação na favela do Moinho.

Na escadaria da Igreja o Manifesto assinado por mais de 100 movimentos e entidades foi lido e ao dar um grande abraço na Catedral da Sé a população mostrou com um  coletivo heterogêneo de movimentos sociais, sindicatos e partidos que se uniram ao nosso Ato que está descontente com a administração do atual Prefeito  e também com o Governador do Estado.

Embora a PM fale em cerca de 300 manifestantes, mais de 3 mil manifestantes, participaram desse Ato de repúdio que se encerrou na Rua Dino Bueno com Helvétia, simbolizando a ocupação cultural dessa região com apresentação teatral e roda de capoeira.

Pinheirinho, Cracolândia e USP: em vez de política, polícia!

In Uncategorized on janeiro 24, 2012 at 12:30 pm

23/01/12 por raquelrolnik

Domingo, 22 de janeiro de 2012, 6h da manhã, São José dos Campos (SP). Milhares de homens, mulheres, crianças e idosos moradores da ocupação Pinheirinho são surpreendidos por um cerco formado por helicópteros, carros blindados e mais de 1.800 homens armados da Polícia Militar. Além de terem sido interditadas as saídas da ocupação, foram cortados água, luz e telefone, e a ordem era que famílias se recolhessem para dar início ao processo de retirada. Determinados a resistir — já que a reintegração de posse havia sido suspensa na sexta feira  – os moradores não aceitaram o comando, dando início a uma situação  dramaticamente violenta  que se prolongou durante todo o dia e que teve como resultado famílias desabrigadas, pessoas feridas, detenções e rumores, inclusive, sobre a existência de mortos.

Nos últimos 08 anos, os moradores da ocupação lutam pela sua permanência na área. Ao longo desse tempo, eles buscaram firmar acordos com instâncias governamentais para que fosse promovida a regularização fundiária da comunidade, contando para isto com o fato de que o terreno tem uma dívida  milionária de IPTU com a prefeitura. O terreno pertence à massa falida da empresa Selecta, cujo proprietário é o especulador financeiro Naji Nahas, já investigado e temporariamente preso pela Polícia Federal na operação Satiagraha. No fim da semana, várias foram as idas e vindas judiciais favoráveis e contrárias à reintegração, assim como as tratativas entre governo federal, prefeitura, governo de Estado e parlamentares para encontrar uma saída pacífica para o conflito.Com o processo de negociação em curso e com posicionamentos contraditórios da Justiça, o governo do Estado decide armar uma operação de guerra para encerrar o assunto.

03 de janeiro de 2012, região da Luz,  centro de São Paulo. A Polícia da Militar inicia uma ação de “limpeza” na região denominada pela prefeitura como Cracolândia. Em 14 dias de ação, mais de 103 usuários de drogas e frequentadores da região foram presos pela polícia  com uso da cavalaria, spray de pimenta e muita truculência. Em seguida, mais de trinta prédios foram lacrados e alguns demolidos. Esta região é objeto de um projeto de “revitalização” por parte da prefeitura de São Paulo, que pretende concedê-la “limpinha” para a iniciativa privada construir torres de escritório e moradia e um teatro de ópera e dança no local. Moradores dos imóveis lacrados foram intimados a deixar a área mesmo sem ter para onde ir. Comerciantes que atuam no maior polo de eletroeletrônicos da América Latina, a Santa Efigênia , assim como os moradores que há décadas vivem ali, vêm tentando, desde 2010, bloquear a implantação deste projeto, já que este desconsidera absolutamente suas demandas.

08 de novembro de 2011, 05h10 da manhã, Cidade Universitária, São Paulo.Um policial aponta a arma para uma estudante de braços levantados, a tropa de choque entra no prédio e arromba portas (mesmo depois de a polícia já estar lá dentro), sem deixar ninguém mais entrar (nem a imprensa, diga-se de passagem), nem sair, tudo com muita truculência. Este foi o início do processo de desocupação da Reitoria da Universidade de São Paulo, ocupada por estudantes em protesto à presença da PM no Campus. Os estudantes são surpreendidos por um cerco formado pela tropa de choque e cavalaria, totalizando mais de 300 integrantes da Polícia Militar. Depois de horas de ação violenta, são retirados do prédio e levados presos mais de 73 estudantes. Camburão e helicópteros acompanham a ação.

O que estes três episódios recentes e lamentáveis têm em comum?

Os três eventos envolvem conflitos na gestão e ocupação do território. Os três são situações complexas, que demandariam um conjunto de políticas de curto, médio e longo prazo para serem enfrentados. Os três requerem um esforço enorme de mediação e negociação.
Entretanto, qual é a resposta para esta complexidade conflituosa? A violência, a supressão do diálogo, o acirramento do conflito.

Alguém poderia dizer — mas por quê os ocupantes do Pinheirinho resistiram? Por que não saíram imediatamente, evitando os feridos e as feridas da confrontação?

Porque sabem que, para quem foi “desocupado” ou” lacrado” nestas e outras reintegrações e “limpezas”, sobra a condição de sem-teto. Ou seja, para quem promoveu a reintegração ou a limpeza, o fundamental é ter o local vazio, e não o destino de quem estava lá, muitos menos as razões que levaram aquelas pessoas a estar lá naquela condição e seu enfrentamento e resolução. “Resolver” a questão é simplesmente fazer desaparecer o “problema” da paisagem.

Mais grave ainda, nestas situações a suposta “ilegalidade” ( ocupação de terra/uso de drogas) é motivo suficiente para promover todo e qualquer  tipo de violação de leis e direitos em nome da ordem, em um retrocesso vergonhoso dos avanços da democracia no país.

Especulação extermina: basta de trevas na Luz e em São Paulo!

In Uncategorized on janeiro 24, 2012 at 3:53 am

Depois de churrascão e em apoio aos removidos do Pinheirinho, novo ato contra a militarização vai até Alckmin e Kassab na manhã desta quarta-feira, 25, em São Paulo, na Praça da Sé

Moinho, Pinheirinho, “Cracolândia”. Além de décadas de descaso por parte do poder público, estas regiões ganharam um novo elemento em comum: o terrorismo de Estado, que carrega consigo inúmeras denúncias de abuso de autoridade, racismo, violação de direitos humanos e tortura. Fica cada vez mais evidente que a política do governo paulista está calcada na militarização como instrumento de garantia dos lucros da iniciativa privada que a financia. Fica também cada vez mais claro que é hora de dizer BASTA.

A população paulista não pode mais tolerar que questões sociais complexas como consumo de drogas ou habitação sejam “resolvidas” por meio da violência policial pura e simples, desrespeitosa de todo e qualquer direito, de toda e qualquer lei que ainda possa vigorar em nosso “Estado de Direito”.

As políticas de “dor e sofrimento” implementadas pelos governos de Kassab e Alckmin – e pouco ou nada combatidas pela esfera federal – dizem respeito a todos os cidadãos e cidadãs, sejam usuários de drogas ou não, tenham sido despejados violentamente de suas casas ou não. Estão em jogo a capacidade de resolvermos nossos problemas através do diálogo, a implementação verdadeira da democracia, o direito à cidade e à políticas públicas efetivas, o respeito aos direitos humanos e à Constituição, o fim do aparelho repressivo implementado na ditadura militar que deveria ter acabado em 1985.

Não é exagero dizer que, com estes governantes, são nossas vidas que estão em jogo. Soluções só se materializam se os problemas estruturais – da desigualdade, do controle da política por parte das corporações, da falta de democracia real – forem enfrentados.

Quarta-feira, dia 25, na Praça da Sé, mais de 60 grupos, entidades e movimentos sociais dirão um imenso NÃO à criminalização da população pobre e à militarização de São Paulo e um SIM à implementação de políticas de saúde, moradia, educação, cultura e emprego que respeitem os direitos humanos e a dignidade das pessoas. Nos juntamos também à exigência de suspensão imediata da desocupação do Pinheirinho, com retorno das famílias às suas casas na área anteriormente ocupada.

E atenção: além das faixas e cartazes, levaremos cobertores nos quais colocaremos nossas mensagems políticas,, tanto para lembrar do descaso com que as pessoas obrigadas a morar na rua são tratadas quanto para que fique claro nossa demanda para que não sejam acobertados os crimes cometidos contra o povo do Pinheirinho, em São José dos Campos. Se possível, traga o seu.

Grande ato ESPECULAÇÃO EXTERMINA: BASTA DE TREVAS NA LUZ E EM SÃO PAULO!

Concentração a partir das 8h, na Praça da Sé.
Caminhada rumo ao Pátio do Colégio, onde Alckmin e Kassab estarão, por volta das 10h.
Atividades culturais (10 grupos de teatro confirmados, música hip hop, dança) na Luz no período da tarde (a partir das 13h30).

Leia nosso manifesto e veja as entidades que formam o movimento https://luzlivre.wordpress.com/

Junte se a nós!

Reunião Pró Ato

In Uncategorized on janeiro 23, 2012 at 4:17 pm

Como de costume nossa reunião hoje será novamente na:

Rua canuto do val, 169 – sind dos correios – perto do metrô Sta Cecília – 19h00

Confira locais e horários dos atos em solidariedade ao Pinheirinho em todo o Brasil

In Uncategorized on janeiro 23, 2012 at 2:38 pm

(Divulgação | Adaptado do original no CMI e no Blog Solidariedade à Ocupação Pinheirinho)

Em todo o Brasil, dezenas de entidades estão chamando protestos de repúdio contra a ação criminosa do governo geral Alckmin contra os moradores do Pinheirinho.

Confira relação dos atos contra a desocupação do Pinheirinho, deste dia 23.

  • São José dos Campos – às 9h, na Praça Afonso Pena
  • Belo Horizonte – 16h na Praça da Liberdade
  • Porto Alegre – 12h na Esquina Democrática
  • Belém – 09h na ALEPA
  • Brasília – 10:30 no gramado do Congresso Nacional
  • Teresina – 14h, Praça do Fripisa
  • Rio de Janeiro – 16h Largo da Carioca, Centro
  • Franca (SP) – 17h no Terminal de Ônibus
  • Curitiba – 17h na Boca Maldita
  • Londrina – 18h no Calçadão
  • Juiz de Fora – 17h no calçadão
  • Guarulhos/SP – 17h Praça da Matriz
  • Fortaleza – 17h na Rua 13 de maio
  • Macaé – 17h na Praça Veríssimo Melo

Festival #Moinho Vivo

In Uncategorized on janeiro 17, 2012 at 11:57 pm

Dia 22 de Janeiro (Domingão) a partir das 10h – Festival #Moinho Vivo Lutando Contra a Higienização e Mostrando toda a potencialidade Criativa e Produtiva da Periferia!!! O recado esta dado Tirem as Mãos do Moinho!!! Em vez de Milhões e Milhões para Demolição e para Especulação Imobiliária. Exigimos Investimentos na Comunidade!!! Investimento para os Catadores. Por Trabalho Digno!!

Moinho Vivo é uma iniciativa autogestionária de produtores, militantes, moradores e ativistas que querem dar visibilidade ao que acontece na Comunidade do Moinho (pós incêndio). Compartilhando informações, denúncias e principalmente todo o potencial criativo e produtivo da Comunidade.

Fonte: http://www.facebook.com/moinhovivo

Endereço: Viaduto Orlando Murgel, no cruzamento da Rua Dr. Elias Chaves com a Avenida Rio branco.

#FestivalMoinhoVivo

36 Grupos de Rap
18 Crew’s de Dança de Rua
26 Escritores de Graffiti
17 Sites/Blog’s na cobertura do evento
Diversas materias em revistas, radios, tv’s
Ainda contabilizando o numero de parceiros na cobertura colaborativa via WEB
ETC…

Um só objetivo!!!

Justiça Social
Construção de uma cidade educadora, justa e solidária.

Ainda falta muito, contribua, nos ajude a transformar este acontecimento em um movimento de transformação permanente na consciência dos opressores e ativação de uma leitura critica nos oprimidos.

Necessitados de apoio na construção de um staff, do palco e do som o tempo é curto mas acreditamos na solidariedade e na contribuição de todos e todas.

contato: vivomoinho@gmail.com

O menino Caio – abraço na direção do amor

In Uncategorized on janeiro 17, 2012 at 5:14 pm

De: http://humpiscar.wordpress.com

17 17UTC janeiro 17UTC 2012 por camiladeoliveirajor

Fotos: Heder Sousa

Num post que fiz em novembro no blog Humpiscar escrevi um texto chamado Diário: Da tentativa de um assalto ao assunto capoeirahttp://humpiscar.wordpress.com/2011/11/24/da-tentativa-de-um-assalto-ao-assunto-capoeira/ .
No texto relato a situação vivida por mim e minha amiga do blog Apropriação da Luz, Paula Ribas, ao sermos abordadas por um garoto de aproximadamente 12 anos, com intenção de assalto. Mas como toda história pode ter um final feliz, essa história teve um início de uma história feliz.

Neste final de semana estive no evento do “Churrascão da gente diferenciada na Cracolândia”, realizado por mais de 40 movimentos sociais, contra as barbaridades que nosso representantes políticos promoveram aos dependentes químicos, moradores e quem vive no centro de São Paulo. E no local, quem pude encontrar? O menino Caio, personagem da minha história “Da tentativa de um assalto ao assunto capoeira”.

Quando percebi sua presença, meu coração apertou, pude perceber o quanto ele estava feliz e se sentido como um rei no local. Além do churrasco oferecido as pessoas, havia muita gente, muitas brincadeiras, músicas e o mais importante, um pouco de amor e atenção. Algo inesperado para alguém perdido e distante da realidade.

Naquele momento, o menino Caio me viu e fui praticamente agarrada por ele, um grande abraço quem nem eu esperava. Não sei se houve a lembrança do fato que vivemos ou se a carência o fez reagir assim. Enfim, o que importou naquele instante foi o afeto trocado.

Não posso negar, fiquei surpresa e ao mesmo tempo emocionada. Ali compreendi que somos todos iguais e se as vezes nos perdemos ou falhamos é porque buscamos o amor e não sabemos como. Questões como estas nos ensinam a se aproximar da realidade sem julgar ou ferir o próximo. Se um simples abraço fez mudar o meu dia e a do menino Caio, que assim seja em todas outras situações de amor.

Nesta história poderia pensar em buscar meios e formas de ajudar este único menino, mas para mim seria egoísmo, sendo que milhares de outros estão na mesma situação. Por isso faço da minha luta social algo mais amplo, onde possamos juntos a quem quiser buscar caminhos e meios para que estes irmãos saiam da ilusão.

Agradeço ao Heder Sousa que registrou estas fotos no momento exato.

Camila de Oliveira

Alckmin e a polícia – VLADIMIR SAFATLE

In Uncategorized on janeiro 17, 2012 at 2:28 pm

FOLHA DE SP – 17/01/12

O governador de São Paulo parece ser um daqueles que rezam pelas virtudes curativas do porrete da polícia. Não é de hoje que ele expõe a sociedade às “ações enérgicas das forças da ordem”, mesmo que a eficácia de tais ações muitas vezes seja próxima de zero.
Há anos, sua polícia envolveu-se em uma operação para exterminar líderes do PCC, isso no caso conhecido como “Castelinho”. “Estamos definitivamente livres do PCC”, afirmava solenemente o secretário da Segurança. Anos depois, o mesmo PCC parou São Paulo em uma das mais impressionantes demonstrações de força do crime organizado.
Mais ou menos nessa época, militantes de direitos humanos se mobilizaram para exigir o afastamento de membros da polícia acusados de praticar tortura na ditadura. Expressiva maioria dessas demandas permaneceu letra morta.
Só nos anos de 2011 e 2012 vimos mais dois exemplos patéticos de atuação de uma polícia que sempre gostou de confundir segurança com demonstração histérica de força. A primeira ocorreu na USP.
Após a intervenção policial no desalojamento de estudantes que invadiram a reitoria, cresceram denúncias de maus-tratos praticados por policiais.
O último capítulo foi a recente e inacreditável cena de um policial com arma em punho ameaçando um estudante: prova cabal do despreparo de uma corporação acostumada a atirar primeiro e pensar depois. A sociedade deveria ler com mais calma os estudos que se avolumam nas universidades sobre violência policial.
Agora, fomos obrigados a assistir a uma incrível intervenção na chamada cracolândia.
Nada adianta a maioria dos profissionais de saúde mental insistir no absurdo que significa tratar uma questão de saúde pública como um problema de segurança. Nada adianta lembrar que a maioria das pessoas nessa região não são traficantes. São, na verdade, usuários, que devem ser tratados não a bala, mas em leitos de hospital. Afinal, há uma parcela da população que se excita quando vê a polícia “impondo a ordem”, por mais teatral e ineficaz que seja tal imposição. Para tal parcela, a polícia é um fetiche que serve para embalar o sonho de uma sociedade de condomínio fechado.
Se tais pessoas, ao menos, se lembrassem de Philippe Pinel, o pai da psiquiatria moderna, talvez elas entendessem o valor nulo de tais ações policiais, assim como da defesa de políticas de “internação compulsória” de viciados.
Aquele que é vítima de sofrimento psíquico (e a drogadição é um deles) só será curado quando o terapeuta for capaz de criar uma aliança com a dimensão da vontade que luta por se conservar como autônoma. Não será à base de balas e internação forçada que tal aliança se construirá.

CHURRASCÃO NA CRACOLÂNDIA: MINHAS IMPRESSÕES E O ARCO-ÍRIS

In Uncategorized on janeiro 17, 2012 at 1:07 pm


** Todas as fotos desse post foram extraídas do facebook da Raonna Martins (http://www.facebook.com/profile.php?id=1126864627&ref=ts), valeu Raonna, foi indicação do Maurão do Imargem!!!

Churrascão na Cracolândia: pois é, aconteceu ontem, dia 14/janeiro/2012 e eu estava presente. Ao contrário do que muitos pensam quando me vêem nesses lugares, eu não estava trabalhando… de fato tinham duas equipes da TVT lá, mas eu mesmo estava de folga. E não levei nem uma câmerazinha pra fazer vídeos pro blog, pois minha câmerinha está quebrada. Mas de vez em quando também é bom somente ir mesmo, sem câmera, se misturando naturalmente.

Eu sempre fui um amigo próximo de pessoas que vivem em situação de rua, já trabalhei com eles, já toquei com eles e tenho histórias épicas em botecos na relação com essa galera. Tenho dentro de mim a certeza total que, humanamente falando, eles não diferem em nada de mim, de vc e de qualquer outra pessoa. Parece óbvio, mas mesmo lá no churrascão ontem, ainda ouvi muita gente utilizando o termo “o nóia”, “os nóinhas” etc,etc… aqui na web (facebook) também vi comentários falando que o pessoal é “zumbi”, “mortos-vivos”, “farrapos humanos”  e falam sobre eles sentindo peninha e se mostrando o quão são “artistas sensíveis” à causa.

Isso tudo pra mim é uma forma de pré-conceito e rotulação pesada!!! Ninguém quer ser rotulado, todos querem ser vistos como seres humanos, seja o usuário de crack ou quem quer que seja!! Imagine se os moradores da Cracolândia chamassem esses mesmos que eu ouvi chamando-os de “nóias ou nóinhas”, de playboys!!! Nossa, seria uma alarme geral, diriam assim: “esses nóias estão nos rotulando!!!”.

Nessa breve história do Brasil até agora, todos nós estamos ainda muito carregados de pré-conceitos e discriminações dentro de nós, que a elite, a velha mídia, o sistema e o capital fez questão de introjetar dentro da gente.. como diz um conhecido: “O preconceito está dentro da nossa pele”… gosto dessa sinceridade e humildade de reconhecer, pois só assim poderemos evoluir no que diz respeito à pessoa humana, ao olhar para o outro ou outra cada vez mais desprovido de conceitos formados, de personagens sociais…

Cada um daqueles que lá estavam e que moram na região, são pessoas, que tem uma história, uma memória, já foram bebês e crianças como todos, tem sentimentos, suas lutas, seus risos, seus choros… repito que pra alguns isso pode parecer óbvio, mas acho importante frisar essas questões, pois apesar de muitos que lá estavam ontem e foram protestar realmente e se misturar efetivamente, deu pra perceber também os “curiosos” de plantão, aqueles que vêem os moradores da Cracolândia como “peça de pesquisa”, como “exóticos”, estilo o turismo que está rolando nas favelas do Rio, e definitivamente o caminho não é por aí…

Achei válido o protesto, é mais uma forma de chamar a atenção, mas acredito que isso é pouco, muito pouco, e ninguém estava lá por ser “bonzinho”… eu pelo menos estava lá pra me misturar aos irmãos da rua e apoiá-los nesse momento de dura repressão… não por “caridade”, termo esse tão deturpado na sociedade atual. A nossa sociedade está repleta de conceitos e paradigmas absolutos, valores de classes sociais estão fortemente instalados e precisamos atravessar essa ponte!!! Precisamos nos exigir mais, fazer mais pelos outros e por nós… afinal, quando percebermos que somos um organismo só e que os outros somos nós e nós os outros, aí talvez algo mude de fato.

Enfim, já está na hora de não aceitarmos mais tantas violações de direitos humanos!!! A verdade é que qualquer um de nós poderia estar morando ali na Cracolândia, são vários tipos de situações que podem levar a isso!! O que essas pessoas precisam é de contato real, sem medo, sem pena, sem se achar o bonzinho… é olho no olho pra eles sentirem que nos consideramos iguais no sentido humano, é ouvir o que eles tem a dizer e apoiar o quanto for possível.

É fato que ninguém ali é santo, mas do lado de cá também não!!! Julgar o outro é praxe nessa sociedade, procurar entender é que é difícil… ali não tem coitados, tem pessoas gritando por sobrevivência e amor, assim como cada um de nós!!!

Finalizo esse post com a foto de um brilhante arco-íris que se instalou na Cracolândia no dia de ontem, e que ele dure mais e mais, cotidianamente e verdadeiramente dentro de nós.

CarlosCarlos Bola & Arte