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CHURRASCÃO NA CRACOLÂNDIA: MINHAS IMPRESSÕES E O ARCO-ÍRIS

In Uncategorized on janeiro 17, 2012 at 1:07 pm


** Todas as fotos desse post foram extraídas do facebook da Raonna Martins (http://www.facebook.com/profile.php?id=1126864627&ref=ts), valeu Raonna, foi indicação do Maurão do Imargem!!!

Churrascão na Cracolândia: pois é, aconteceu ontem, dia 14/janeiro/2012 e eu estava presente. Ao contrário do que muitos pensam quando me vêem nesses lugares, eu não estava trabalhando… de fato tinham duas equipes da TVT lá, mas eu mesmo estava de folga. E não levei nem uma câmerazinha pra fazer vídeos pro blog, pois minha câmerinha está quebrada. Mas de vez em quando também é bom somente ir mesmo, sem câmera, se misturando naturalmente.

Eu sempre fui um amigo próximo de pessoas que vivem em situação de rua, já trabalhei com eles, já toquei com eles e tenho histórias épicas em botecos na relação com essa galera. Tenho dentro de mim a certeza total que, humanamente falando, eles não diferem em nada de mim, de vc e de qualquer outra pessoa. Parece óbvio, mas mesmo lá no churrascão ontem, ainda ouvi muita gente utilizando o termo “o nóia”, “os nóinhas” etc,etc… aqui na web (facebook) também vi comentários falando que o pessoal é “zumbi”, “mortos-vivos”, “farrapos humanos”  e falam sobre eles sentindo peninha e se mostrando o quão são “artistas sensíveis” à causa.

Isso tudo pra mim é uma forma de pré-conceito e rotulação pesada!!! Ninguém quer ser rotulado, todos querem ser vistos como seres humanos, seja o usuário de crack ou quem quer que seja!! Imagine se os moradores da Cracolândia chamassem esses mesmos que eu ouvi chamando-os de “nóias ou nóinhas”, de playboys!!! Nossa, seria uma alarme geral, diriam assim: “esses nóias estão nos rotulando!!!”.

Nessa breve história do Brasil até agora, todos nós estamos ainda muito carregados de pré-conceitos e discriminações dentro de nós, que a elite, a velha mídia, o sistema e o capital fez questão de introjetar dentro da gente.. como diz um conhecido: “O preconceito está dentro da nossa pele”… gosto dessa sinceridade e humildade de reconhecer, pois só assim poderemos evoluir no que diz respeito à pessoa humana, ao olhar para o outro ou outra cada vez mais desprovido de conceitos formados, de personagens sociais…

Cada um daqueles que lá estavam e que moram na região, são pessoas, que tem uma história, uma memória, já foram bebês e crianças como todos, tem sentimentos, suas lutas, seus risos, seus choros… repito que pra alguns isso pode parecer óbvio, mas acho importante frisar essas questões, pois apesar de muitos que lá estavam ontem e foram protestar realmente e se misturar efetivamente, deu pra perceber também os “curiosos” de plantão, aqueles que vêem os moradores da Cracolândia como “peça de pesquisa”, como “exóticos”, estilo o turismo que está rolando nas favelas do Rio, e definitivamente o caminho não é por aí…

Achei válido o protesto, é mais uma forma de chamar a atenção, mas acredito que isso é pouco, muito pouco, e ninguém estava lá por ser “bonzinho”… eu pelo menos estava lá pra me misturar aos irmãos da rua e apoiá-los nesse momento de dura repressão… não por “caridade”, termo esse tão deturpado na sociedade atual. A nossa sociedade está repleta de conceitos e paradigmas absolutos, valores de classes sociais estão fortemente instalados e precisamos atravessar essa ponte!!! Precisamos nos exigir mais, fazer mais pelos outros e por nós… afinal, quando percebermos que somos um organismo só e que os outros somos nós e nós os outros, aí talvez algo mude de fato.

Enfim, já está na hora de não aceitarmos mais tantas violações de direitos humanos!!! A verdade é que qualquer um de nós poderia estar morando ali na Cracolândia, são vários tipos de situações que podem levar a isso!! O que essas pessoas precisam é de contato real, sem medo, sem pena, sem se achar o bonzinho… é olho no olho pra eles sentirem que nos consideramos iguais no sentido humano, é ouvir o que eles tem a dizer e apoiar o quanto for possível.

É fato que ninguém ali é santo, mas do lado de cá também não!!! Julgar o outro é praxe nessa sociedade, procurar entender é que é difícil… ali não tem coitados, tem pessoas gritando por sobrevivência e amor, assim como cada um de nós!!!

Finalizo esse post com a foto de um brilhante arco-íris que se instalou na Cracolândia no dia de ontem, e que ele dure mais e mais, cotidianamente e verdadeiramente dentro de nós.

CarlosCarlos Bola & Arte

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